Como divulgar meu consultório sem ferir o código de ética?

Future Marketing • 14 de setembro de 2026

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Como divulgar meu consultório sem ferir o código de ética?

É possível investir em publicidade médica sem desrespeitar o Código de Ética? Sim. Médicos podem divulgar sua formação, especialidades registradas, serviços, estrutura, valores e conteúdos educativos, desde que evitem promessas de resultado, sensacionalismo, concorrência desleal e exposição indevida de pacientes. A estratégia deve seguir a Resolução CFM nº 2.336/2023, o Código de Ética Médica e as regras de proteção de dados. Na prática, uma comunicação transparente, informativa e tecnicamente responsável ajuda o consultório a conquistar visibilidade sem transformar a medicina em uma atividade meramente comercial.


Introdução

Divulgar um consultório médico deixou de significar apenas ter um site ou manter um perfil nas redes sociais. Hoje, a jornada do paciente passa pelo Google, Instagram, YouTube, avaliações, mapas, anúncios pagos e respostas fornecidas por mecanismos de inteligência artificial.

Essa exposição amplia as oportunidades, mas também aumenta a responsabilidade. Uma campanha mal formulada pode apresentar promessas, qualificações incorretas ou imagens inadequadas, mesmo quando o médico não teve a intenção de infringir qualquer norma.

A publicidade médica possui regras específicas justamente porque uma decisão relacionada à saúde não pode ser estimulada da mesma maneira que a compra de um produto comum. A comunicação precisa preservar a autonomia do paciente, a veracidade das informações e a dignidade da profissão.

Neste artigo, você entenderá o que médicos e clínicas podem divulgar, quais práticas devem ser evitadas e como estruturar uma estratégia digital ética para atrair pacientes de forma sustentável.


O que é considerado publicidade médica?

Publicidade médica é toda comunicação promovida por um médico ou estabelecimento de saúde com o objetivo de divulgar serviços, qualificações, estrutura, conhecimentos ou formas de atendimento.

Isso inclui publicações em redes sociais, sites, blogs, anúncios no Google, vídeos, entrevistas, materiais impressos, mensagens, podcasts e participações em campanhas.

A Resolução CFM nº 2.336/2023 diferencia publicidade de propaganda médica. A publicidade apresenta informações sobre a atividade profissional, enquanto a propaganda busca formar, manter ou ampliar a clientela.

As duas modalidades são permitidas, desde que respeitem as limitações éticas. Portanto, o médico pode desenvolver sua presença digital e divulgar o consultório, mas continua responsável pelo conteúdo publicado por ele ou por terceiros contratados.


Qual regra orienta a divulgação de médicos e clínicas?

A principal norma atualmente aplicada à publicidade médica é a Resolução CFM nº 2.336/2023, que entrou em vigor em 11 de março de 2024.

A resolução modernizou as regras e passou a permitir práticas antes tratadas de maneira mais restritiva, como divulgar preços, realizar campanhas promocionais, mostrar equipamentos e utilizar imagens de pacientes em contextos educativos.

Essa flexibilização não eliminou os limites éticos. Sensacionalismo, autopromoção, promessa de resultado, divulgação de informações falsas e exposição inadequada de pacientes continuam proibidos.

O Código de Ética Médica também permanece aplicável. Ele determina, entre outros pontos, que as informações divulgadas sejam verdadeiras, cientificamente fundamentadas e compatíveis com as normas estabelecidas pelo CFM.


O que é permitido na publicidade médica?

O médico pode apresentar informações úteis para que o paciente conheça sua formação, sua atuação e a estrutura disponível no consultório.

A publicidade médica ética pode ter finalidade informativa, educativa e comercial, desde que a comunicação não induza o paciente ao erro nem apresente garantias inexistentes.


Quais informações profissionais podem ser divulgadas?

O médico pode divulgar:

  1. Nome completo;
  2. Número de inscrição no CRM acompanhado do estado;
  3. Especialidades e áreas de atuação registradas;
  4. Número do Registro de Qualificação de Especialista, o RQE;
  5. Formação acadêmica e trajetória profissional;
  6. Endereço, horários e formas de atendimento;
  7. Serviços oferecidos pelo consultório;
  8. Participação em sociedades médicas;
  9. Equipamentos disponíveis;
  10. Formas de agendamento e contato.

Em perfis pessoais nas redes sociais, o nome, o CRM e o RQE, quando aplicável, devem aparecer na página principal do perfil. Essas informações não precisam ser repetidas em cada publicação.

Nos anúncios de clínicas, hospitais e outros estabelecimentos de saúde, devem constar o nome do estabelecimento, o número de cadastro no CRM e a identificação do diretor técnico-médico.


O médico pode divulgar uma especialidade?

O médico somente pode se apresentar como especialista quando possui o respectivo RQE registrado no Conselho Regional de Medicina.

Uma pós-graduação, isoladamente, não concede o título de especialista. Quando o médico divulgar uma pós-graduação lato sensu relacionada à medicina sem possuir RQE, a formação deve ser acompanhada da expressão “NÃO ESPECIALISTA”, em letras maiúsculas.

Esse cuidado deve aparecer no site, nas redes sociais, nos anúncios, nas entrevistas e nos materiais institucionais. Expressões como “especialista em”, “referência em” ou “expert em” não devem ser usadas para contornar a ausência do registro.


Exemplo prático

Um médico com RQE em Dermatologia pode divulgar “Dermatologista, CRM-SP 000000, RQE 00000”.

Se ele possui apenas uma pós-graduação em Dermatologia, deve informar a formação como dado curricular, seguida de “NÃO ESPECIALISTA”.


É permitido anunciar preços e descontos?

Sim. A Resolução CFM nº 2.336/2023 permite divulgar o preço da consulta, formas de pagamento e descontos concedidos em campanhas promocionais.

Também é possível informar valores em anúncios, sites e redes sociais. Essa autorização oferece mais transparência ao paciente e não transforma, por si só, a divulgação em uma infração ética.


Entretanto, continuam proibidas as vendas casadas, as premiações e campanhas que apresentem atos médicos como brindes. Também não se deve estimular a contratação de procedimentos sem avaliação individual.


O que diferencia uma promoção permitida de uma oferta inadequada?

Comunicação permitida Comunicação de risco
“Consulta com valor promocional durante setembro” “Faça uma consulta e ganhe um procedimento”
“Entre em contato para conhecer as formas de pagamento” “Compre agora antes que sua saúde piore”
“Condição válida para novos agendamentos” “Resultado garantido ou seu dinheiro de volta”
“Valores sujeitos à indicação após avaliação” “Procedimento indicado para qualquer pessoa”

Na prática, a publicidade médica pode comunicar condições comerciais, mas não deve explorar medo, urgência artificial ou vulnerabilidade emocional.


É permitido utilizar imagens de pacientes?

Sim, mas apenas dentro de critérios rigorosos. O uso de imagens deve ter finalidade educativa, estar relacionado à especialidade registrada e ser acompanhado de informações sobre indicações, evolução e fatores que podem influenciar o resultado.

O médico precisa obter autorização para a publicação. Mesmo com o consentimento, deve preservar o anonimato, o pudor e a privacidade do paciente.

A autorização também pode ser retirada. Por isso, é importante manter um processo documentado para registrar o consentimento, controlar onde a imagem foi publicada e removê-la quando solicitado.


Antes e depois é permitido?

O chamado “antes e depois” pode ser utilizado quando fizer parte de um conteúdo educativo completo. A imagem isolada, apresentada como prova de sucesso ou promessa implícita de resultado, não atende à norma.

O conjunto deve representar diferentes possíveis evoluções, incluindo resultados satisfatórios, insatisfatórios e complicações. Sempre que aplicável, também deve considerar biotipos, faixas etárias e resultados imediatos, intermediários e tardios.

As imagens não podem ser manipuladas, melhoradas ou retocadas para alterar o resultado. Também não devem conter elementos que permitam reconhecer o paciente.


Checklist para publicação de imagens

Antes de publicar, verifique se:

  • Existe autorização documentada e revogável;
  • A finalidade do material é educativa;
  • O caso está relacionado à especialidade registrada;
  • A identidade do paciente está protegida;
  • A imagem não recebeu manipulações;
  • O texto explica indicações, limitações e fatores de risco;
  • Não existe promessa de que outras pessoas terão o mesmo resultado;
  • O conteúdo apresenta diferentes evoluções possíveis;
  • A publicação preserva a dignidade e o pudor do paciente.


Depoimentos e avaliações podem ser divulgados?

O médico pode repostar elogios e depoimentos publicados por pacientes, desde que o conteúdo seja sóbrio, verdadeiro e não seja utilizado de forma reiterada para sugerir superioridade.

Depoimentos com expressões como “o melhor médico”, “resultado perfeito” ou “cura garantida” podem criar uma expectativa incompatível com a natureza da atividade médica.

A publicidade médica não deve transformar experiências individuais em evidência de eficácia. Cada paciente possui características clínicas próprias, e um relato positivo não garante que o mesmo resultado será obtido em outro caso.

Por isso, avaliações podem contribuir para a reputação digital, mas não devem ser o argumento central da estratégia.


O que continua proibido na publicidade médica?

Mesmo com regras mais flexíveis, alguns limites permanecem objetivos. O médico não pode divulgar informações enganosas, prometer resultados nem atribuir capacidade privilegiada a métodos sem comprovação.

Entre as principais práticas proibidas estão:

  • Garantir cura ou resultado;
  • Apresentar-se como especialista sem RQE;
  • Divulgar técnica sem reconhecimento científico;
  • Alegar exclusividade sobre um método;
  • Afirmar que um equipamento oferece capacidade superior;
  • Participar de propaganda enganosa;
  • Expor pacientes de maneira identificável;
  • Utilizar imagens sensacionalistas;
  • Ensinar atos privativos de médicos a pessoas não habilitadas;
  • Divulgar medicamentos, insumos ou produtos de saúde com finalidade comercial;
  • Oferecer atendimento como prêmio;
  • Promover concorrência desleal;
  • Desrespeitar o sigilo profissional;
  • Atribuir resultados a um recurso sem considerar outros fatores clínicos.


Como divulgar um consultório no Google com ética?

O Google permite alcançar pacientes que já estão procurando um médico, uma especialidade ou um serviço em determinada região.

O consultório pode investir em SEO, Google Ads e Perfil da Empresa no Google, desde que as informações apresentadas sejam verdadeiras e compatíveis com a formação do profissional.


O que pode aparecer em um anúncio?

Um anúncio ético pode incluir:

  • Nome completo do médico;
  • Especialidade acompanhada do RQE;
  • Cidade ou bairro de atendimento;
  • Modalidade presencial ou teleconsulta;
  • Convênios aceitos;
  • Serviços disponíveis;
  • Horários;
  • Valor da consulta;
  • Link para agendamento;
  • Informações sobre acessibilidade e estrutura.


Um exemplo seria: “Dra. Ana Silva, cardiologista em São Paulo. CRM-SP 000000, RQE 00000. Consultas particulares e por convênio. Agende uma avaliação”.

Já mensagens como “acabe definitivamente com sua dor” ou “o tratamento mais avançado do Brasil” devem ser evitadas por sugerirem garantia ou superioridade.


A página de destino também precisa seguir as regras?

Sim. Não basta que o anúncio esteja correto se a página acessada pelo paciente contém promessas, títulos inadequados ou qualificações que não podem ser comprovadas.

Em nossos projetos, a revisão considera o anúncio, a página de destino, os formulários, os botões de contato e as mensagens automáticas. A conformidade precisa acompanhar toda a jornada digital.


Como usar redes sociais sem transformar o perfil em propaganda irregular?

As redes sociais podem ser utilizadas para apresentar a rotina profissional, compartilhar conhecimento, explicar doenças e divulgar o ambiente de trabalho.

O médico também pode publicar selfies, imagens da equipe, participações em congressos e registros do consultório, desde que não exponha pacientes nem utilize uma linguagem sensacionalista.

Uma estratégia equilibrada combina educação, autoridade técnica e orientação sobre o acesso ao atendimento.


Quais conteúdos funcionam bem?

Conteúdos seguros e relevantes incluem:

  1. Explicações sobre sintomas que justificam uma avaliação;
  2. Orientações preventivas baseadas em evidências;
  3. Diferenças entre doenças com sinais semelhantes;
  4. Informações sobre exames e procedimentos;
  5. Critérios gerais de indicação;
  6. Cuidados antes e depois de um tratamento;
  7. Respostas a dúvidas frequentes;
  8. Apresentação da formação e da experiência profissional;
  9. Explicação sobre a estrutura do consultório;
  10. Informações claras sobre agendamento.


O objetivo não deve ser diagnosticar seguidores. O conteúdo deve ajudá-los a compreender quando procurar assistência e como funciona a avaliação médica.


O que não deve ser feito em comentários e mensagens?

Comentários, directs e grupos não devem ser usados para substituir a consulta, prescrever tratamentos ou formular diagnósticos individuais sem uma avaliação adequada.

O médico pode fornecer orientações gerais e indicar a necessidade de atendimento. Em situações de urgência, a mensagem deve direcionar a pessoa a um serviço apropriado.

Mesmo em canais privados, continuam valendo o sigilo profissional, a proteção de dados e os limites da telemedicina.


Como a LGPD interfere na divulgação do consultório?

Informações relacionadas à saúde são dados pessoais sensíveis. Isso exige maior cuidado na coleta, no armazenamento e no uso de informações recebidas por formulários, WhatsApp, plataformas de anúncios ou sistemas de atendimento.

A divulgação ética não termina no conteúdo publicado. Ela também envolve o tratamento adequado dos dados gerados pelas campanhas.

Na prática, o consultório deve coletar apenas as informações necessárias, informar a finalidade da coleta, controlar o acesso e adotar medidas de segurança.


Quais cuidados devem ser adotados?

  • Evitar solicitar diagnósticos detalhados em formulários de anúncio;
  • Manter avisos de privacidade acessíveis;
  • Restringir o acesso às informações dos pacientes;
  • Utilizar plataformas seguras;
  • Não enviar dados clínicos para ferramentas sem avaliação prévia;
  • Definir prazos de armazenamento;
  • Criar procedimentos para solicitações dos titulares;
  • Treinar secretárias, agências e fornecedores;
  • Formalizar responsabilidades em contratos.


A ANPD esclarece que a LGPD não proíbe o tratamento de dados de saúde, mas exige uma hipótese legal válida, finalidade definida e medidas adequadas de proteção.


A agência também pode ser responsabilizada?

O médico é responsável pelas informações divulgadas em seus canais, inclusive quando o material foi produzido por uma agência, social media ou outro prestador.

Isso não retira a responsabilidade contratual e profissional da agência. Significa que a aprovação de uma campanha deve passar por pessoas que conheçam as regras aplicáveis ao setor da saúde.

Na prática, uma boa operação mantém briefing, fontes, aprovações, registros de consentimento e versões finais organizados. Esse processo reduz falhas e facilita a correção de qualquer conteúdo questionado.


Como estruturar uma estratégia ética de divulgação?

A publicidade médica eficiente começa antes da criação das peças. É necessário compreender a formação do profissional, os objetivos do consultório e as necessidades reais do público.

1. Valide as credenciais

Confira CRM, RQE, especialidades registradas, formação acadêmica e vínculos institucionais antes de publicar qualquer informação.

2. Defina o posicionamento

Escolha temas nos quais o médico possui experiência legítima. O posicionamento deve refletir a prática profissional, e não apenas palavras-chave com maior potencial comercial.

3. Mapeie a jornada do paciente

Identifique o que o paciente procura no Google, quais dúvidas aparecem antes da consulta e quais informações ajudam na decisão de agendar.

4. Produza conteúdo baseado em evidências

Utilize diretrizes, estudos científicos, órgãos oficiais e sociedades médicas como referências. Informações controversas devem ser apresentadas com contexto e limitações.

5. Revise as promessas implícitas

Uma campanha pode não utilizar a palavra “garantia” e, ainda assim, gerar uma promessa por meio de imagens, depoimentos, títulos ou comparações.

6. Proteja os dados recebidos

Revise formulários, pixels, integrações, ferramentas de atendimento e permissões de acesso. Marketing e proteção de dados precisam fazer parte do mesmo planejamento.

7. Monitore as publicações


Atualize informações profissionais, retire conteúdos desatualizados e acompanhe alterações nas normas do CFM e do CRM da região.


Checklist final para uma publicidade médica ética

Antes de publicar um conteúdo ou campanha, confirme:

  • O nome completo e o CRM estão apresentados corretamente?
  • O RQE acompanha a especialidade anunciada?
  • Todas as qualificações podem ser comprovadas?
  • O conteúdo possui base científica?
  • Existe alguma promessa direta ou implícita?
  • A linguagem explora medo, urgência ou vulnerabilidade?
  • As imagens preservam o anonimato e a dignidade do paciente?
  • Existe autorização documentada para o uso das imagens?
  • Preços e promoções foram comunicados sem venda casada?
  • O anúncio evita alegações de superioridade?
  • A página de destino segue as mesmas regras da campanha?
  • Os dados coletados estão protegidos?
  • O material foi revisado antes da publicação?


Se alguma resposta gerar dúvida, o conteúdo deve passar por uma nova análise antes de ser divulgado.


Conclusão

Divulgar um consultório sem ferir o Código de Ética é possível e pode gerar resultados consistentes. O ponto central é compreender que publicidade médica não significa apenas conquistar alcance, mas comunicar informações relevantes com responsabilidade.


Médicos podem anunciar serviços, preços, estrutura e diferenciais profissionais. Também podem produzir conteúdos, investir em mídia paga e utilizar imagens em situações específicas, desde que respeitem as exigências do CFM, o sigilo e a proteção de dados.


Uma estratégia bem estruturada transforma conhecimento médico em informação acessível, fortalece a reputação profissional e ajuda o paciente a tomar decisões mais conscientes.


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